O que é isso, Caetano?

Em sua apresentação com “Abraçaço” em Vitória da Conquista, Caetano Veloso cativa a plateia, apesar do estranhamento 

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Com “A bossa nova é foda”, Caetano Veloso iniciou sua apresentação em Conquista e seguiu com “Quando o galo cantou” e logo depois a música título do show, “Abraçaço”. “Funk melódico”, “Estou triste”, “Um comunista”, “O império da lei”, “Parabéns” e “Gayana” também integraram o repertório, todas estão no disco lançado em dezembro do ano passado, que mistura samba, funk, bossa nova, axé e rock.

Foi uma “pegada” diferente que me fez ouvir de uma senhora ao lado: “o que é isso, Caetano?” Isso, minha senhora, é Caetano com a banda Cê, parceria que já está no seu terceiro trabalho, mas que a maioria das pessoas que estava na Arena Miraflores desconhecia, tanto que foram poucas as que acompanhavam os versos do baiano, muito à vontade no palco. Canções de “Cê” e “Zii e zie”, os dois primeiros trabalhos da união de Caetano com Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado, também entraram no setlist.

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Nas poucas palavras que destinou ao público, ele comemorou o fato de estar na Bahia com a banda Cê, “pela primeira vez em Conquista, a banda, que eu já toquei aqui há muitos anos”. Ainda no início, entre uma música e outra, foi interrompido por um grito seguido por vaias. “Caetano, o som não chega ao fundo, o público está disperso porque não está ouvindo”, reclamou alguém que estava na pista (muito mal localizada à esquerda do palco, por sinal), mas que não foi ouvido pelo cantor, “desculpe, mas não posso ouvir”, lamentou Caê, que também reclamou: “aqui tem uma reverberação, mas a gente tá fazendo…”

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Os pecados da organização não tiraram o brilho do show. Caetano deitou no palco, distribuiu sorrisos e beijinhos, dedicou música para os aniversariantes, abriu a camisa exibindo o peitoral, rebolou e fez passinhos. No entanto, foi cantando “Mãe”, “De noite na cama”, “Reconvexo” e “Você não entende nada” que Caetano conquistou o público. Mas ainda assim teve quem esperava por “Sozinho”, “Sampa”, “Leãozinho” e “Você é linda”, mas, nem no bis, ainda sim fez o público da área das cadeiras levantar para cantar com ele “Força Estranha” e “Tieta”. Assim, Caetano deixou seu abraçaço e mostrou que está mais renovado que nunca, ousando em letras, sons e ritmos. Lembra até o jovem tropicalista Caetano, só que no alto dos seus 71 anos.

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