“O que vale é o sorriso da criança”, diz um pai logo após comprar um daqueles balões metalizados do Mickey na praça Tancredo Neves. Ele sabe que logo o balão vai murchar ou estourar – isso se não for pelos ares, mas o investimento foi para satisfazer o gosto da filhinha de quatro anos, que estava acabando de chegar à praça. Se o pai for ceder a todos os gostos sairá dali um pouco mais pobre, pois são muitos os atrativos para a criançada nessa época do ano.

Enfeitada por luzes de Natal, a praça Tancredo Neves recebe famílias inteiras nas noites de dezembro. Como a chuva não deu trégua durante a programação do Natal da Cidade, o número de visitantes foi mais intenso nos dias 24 e 25, quando houve uma breve estiagem. Ao redor da praça existe uma verdadeira praça de alimentação: tem churrasquinho, acarajé, hambúrguer, cachorro quente, algodão doce, pipoca, churros, caldos, batata frita, maçã do amor e biscoitos caseiros.

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O pipoqueiro Marcelo diz que o movimento mesmo é no dia 25, mas em menos de dois minutos, enquanto conversava com ele no dia 24, quatro pessoas chegaram para comprar. Ele é vendedor fixo dali, vende pipocas doces e salgadas a R$ 2 o saquinho. O seu público é formado principalmente por crianças. “Normalmente quem vem à praça quer comer pipoca”, diz Lúcia, mãe de Mariana, garotinha de dois anos que está encantada com as luzes, mas que não tira os olhos dos brinquedos do parquinho inflável montado numa das pontas da Tancredo. Esse é outro lugar de movimento. Crianças chegam a fazer fila para brincar escorregando ou pulando naqueles brinquedos coloridos e cheios de ar.

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Na Tancredo Neves estão cerca de 700 mil microlâmpadas, 700 metros de redes luminosas, 40 refletores coloridos e 3 mil metros de mangueiras com lâmpadas luminosas, criando um efeito mágico e que impressiona a quase todos que visitam. A mãe de Ana Carolina de três anos, Ana Paula, diz que a praça está bonita e é um bom divertimento para a filha, mas esperava ver alguma novidade. “Venho todos os anos e está igual ao ano passado”, diz sobre a ornamentação, “mas minha filha gosta muito”. O que Ana Paula talvez não saiba é como ficava a praça antes da criação do Natal da Cidade.

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“No Natal de 1996 eu já era prefeito eleito, mas não tinha tomado posse. Eu fiquei muito triste porque eu passei na praça Tancredo Neves e o centro estava praticamente às escuras, só tinha luz e pessoas na catedral e eu imaginei os ternos de reis voltando para o centro da cidade e tive a vontade de em 97 fazer de tudo para realizar um Natal de festa e de luz e nós corremos para que a cidade ficasse iluminada”, conta o prefeito Guilherme Menezes sobre a origem do evento.

Dezessete anos depois o evento cresceu e ganhou importância no cenário regional e também nacional, sendo reverenciado por todos os grandes artistas que passam por aqui, primeiro pela qualidade musical da sua programação e depois pelo calor do público que conquista qualquer um, até os mais experiente,a costumados a emocionar plateias pelo mundo a fora.

“Milton Nascimento viu a população tão sintonizada que falou ‘eu quero que vocês cantem pra mim’ e a população cantou ‘Canção da América’ sem perder uma frase, sem perder o ritmo e sem desafinar e ele ficou emocionadíssimo, é essa a grandeza do povo de Conquista e do Natal da Cidade”, destaca Guilherme ao avaliar o evento (assista abaixo).

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A professora Patrícia Sanches, que prestigiou quase todos os dias da programação, disse que “esse é um evento extremamente importante para divulgar uma música que talvez as pessoas não escutem normalmente. Para mim foi o melhor Natal da Cidade em qualidade musical”.

Da cidade de Poções, João Bonfim veio assistir aos shows do dia 25. “Acompanho todas as edições e vejo que a cultura brasileira ganha muito com um evento como esse e é muito importante não só para Conquista, mas para toda sua região”, ressalta ele.

Na área das cadeiras, a conquistense Lídia Rodrigues disse que nesse ano a organização da praça esteve melhor que nos outros anos. “Mas eu espero que no próximo ano seja realmente ser em outro espaço porque o centro fica muito complicado durante o dia”, sugere.

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MEMORIAL – A Casa Régis Pacheco se transformou no Memorial do Reisado e recebeu muitos visitantes durante a programação do Natal da Cidade. A exposição montada destaca manifestações de tradição popular como o reisado e a montagem de presépios. Um grande presépio com alguns personagens animados chamou atenção do público que passou por lá, além de uma maquete de uma vila, representando os diferentes tipos de folias de reis. “Fizemos uma pesquisa e buscamos os principais reisados do Brasil relacionados com as festas natalinas, como a Marujada, por exemplo,” explicou o artista plástico, Marcelo Viana. O artista plástico J. Murilo doi um dos homenageados durante a exposição.

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CORAIS – Oito grupos de canto coral se apresentaram ao longo do Natal da Cidade. No dia 18, por exemplo, o Coral da Uesb se apresentou no pequeno palco montado à frente da Casa Régis Pacheco. “Esse concerto foi preparado em dois meses”, diz a professora Rita de Cássia, que participa do coral desde a década de 1980 e que estava de retornando agora ao grupo coordenado pela regente Cláudia Cavalcanti. O Coral da Uesb se apresenta no Natal da Cidade desde a sua primeira edição e nesta apresentação chegou a incluir músicas do século XVIII no seu repertório, impressionando os espectadores.

PRAÇA NOVE DE NOVEMBRO – Ao todo, 19 apresentações aconteceram no palco montado na praça Nove de Novembro, no coração do centro comercial de Vitória da Conquista. O espaço foi o principal lugar das apresentações de músicos e bandas da região. Iniciadas no dia 10, a programação se estendeu até o dia 24, com um repertório diversificado, de Dominguinhos, a Caymmi e Tom Zé, por exemplo.

O músico Luciano PP apresentou, no dia 13, o show “Fabrincando Tom Zé”, quem ele tem pesquisado para composição dos seus dois últimos trabalhos. “Pensei em fazer um som mais ou menos do jeito que ele faz, mais suingado e crítico e por isso o nome ‘Fa-brincando Tom Zé’, que acaba sendo desconstruindo o Tom Zé”, explicou.

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Sobre o público que assiste às apresentações, ele destaca a relação com a movimentação no comércio: “lá é um público itinerante e o interessante é que as pessoas não estão esperando e não estão no centro para o show, mas que quando passam e vêem, acabam sentando e assistindo ao show”.

Responsável pelo projeto “Encontro de dança, música e poesia”, o músico Lucinho Ferraz misturou clássicos da música popular brasileira, com bossa nova, chorinho e solos de guitarra para a apresentação que fez no dia 19.  “O artista tem que estar onde o povo estar, não importa se é palco pequeno ou grande”, diz comemorando.

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