Neta de Caymmi revela: “descobri uma música inédita”

Doutora em literatura, jornalista e biógrafa, Stella Caymmi bem que tentou fugir do DNA da família. Filha de Nana e neta do saudoso Dorival Caymmi, ela vai se lançar como cantora. “Relutei porque sabia que iriam fazer comparações e não tinha certeza se estava a fim de passar por isso. Eu sou jornalista, fui assessora de imprensa por anos, e sei como as coisas funcionam”, diz ela. Stella está à frente de uma série de projetos para celebrar o centenário do avô, que faria 100 anos nesta quarta-feira, 30 de abril.

O CD vai ter participação familiar?

Pretendo gravar uma canção que eu fiz aos 17 anos que minha mãe já gravou. Também quero cantar um acalanto que meu avô compôs para mim quando eu nasci e que se chama ‘Canção da Primeira Netinha’. Também encontrei nas minhas pesquisas uma música inédita do Dorival que quero incluir no repertório. Já convidei o Chico Buarque para gravarmos uma música juntos. Ele topou.

E os preparativos para o centenário de Dori?

Tem vários projetos; uma exposição e palestras-show pelo país comigo e com meu tio, Danilo.  Vou rodar as lonas culturais do Rio de Janeiro cantando as parcerias do Caymmi com o Jorge Amado. Mas meu xodó é publicar o livro com entrevistas que fiz com meu avô ao longo de dez anos preparando sua biografia. Com este livro, vou considerar meu dever cumprido.

Como ficou a partilha de bens após a morte do Dorival?

Minha mãe foi a inventariante e ela e meus tios, por mais que não pareça, se entendem muito bem. Debaixo da nossa esculhambação, há um amor entre todos nós que, ainda que beire a passionalidade, nos mantém unidos. Mais que unidos, atados. E todos somos apaixonados por Stella e Dorival, que nos deram muito. Então, sempre acaba dando tudo certo. Sobre a parte mais burocrática, meu tio Danilo é quem administra a empresa da família, Rosa Morena. Ele tem tino para isso, lida bem com as novas tecnologias e consegue conciliar tudo com sua carreira.

Que lembranças guarda do seu avô?

Quando eu tinha uns cinco anos, ele encolhia o barrigão, a bermuda caía e ele ficava só de cuecas.  A gente ria de se acabar. Quando eu e meus irmãos moramos com ele, em Salvador, minha avó costumava fazer os deveres da escola comigo e meu avô só assistia. Uma vez ela perguntou quem descobriu o Brasil. Eu, sem titubear respondi: Jorge Amado. Meu avô quase morreu de rir. Achou o máximo e contou para todo mundo. A Bahia inteira ficou sabendo.

Por Bruno Astuto / Revista Época

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