Redescobrindo Glauber Rocha

Duas notícias sobre o conquistense Glauber Rocha:

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1)
O cineasta baiano Glauber Rocha é tema do documentário “Cordilheira no Mar: A Fúria do fogo bárbaro” (2015), filme concebido a partir de um encontro em Paris, que ocorreu em 1981, entre o jornalista e diretor pernambucano Geneton Moraes Neto, então estudante de cinema, e Glauber Rocha, durante exibição do filme “A Idade da Terra”.

Ao voltar ao Brasil, Geneton entrevistou Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco, derrubado pelo golpe militar, e Francisco Julião, ex-líder das Ligas Camponesas. A entrevista abordou os diálogos que ambos tiveram, durante o exílio, com Glauber Rocha.

Após anos de ineditismo, esses depoimentos se somaram a outras dezoito entrevistas sobre o apoio do cineasta baiano ao projeto de abertura política, chamada de “lenta, gradual e segura”, do general Ernesto Geisel. A partir disso, o filme discute maniqueísmo, intolerância, simplismo e “patrulha ideológica”. (A Tarde)

2)
As cenas de uma viagem muito louca a Marrocos na década de 70 foram recuperadas e exibidas em forma de curta em Curitiba. Seria só um registro de viagem se o dono na câmera não fosse Glauber Rocha, o criador do Cinema Novo.

Já nos primeiros minutos do curta, Glauber Rocha aparece sorridente, em um momento de descontração, ao sair de um barbeiro na comunidade de Essaouira, no Marrocos. Quem operou a câmera nesse trecho foi a namorada de Glauber na época, a cantora norte-americana Mossa Bildner, dona da gravação. Ela, Glauber e amigos passaram um mês juntos no Marrocos, no início dos anos 70.

O estilo “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” aparece nos 39 minutos do curta, gravado em um tipo de filme que era mais barato na época e mais fácil de carregar na bagagem: o Super 8. O filme ficou guardado por 42 anos, primeiro em um rolo de gravação e, depois, foi salvo em uma fita VHS, aquelas que foram populares nos anos 80. Apesar de ter carinho pela gravação, a dona não achava que as pessoas teriam interesse no material.

Foi quando se mudou para Curitiba que Mossa percebeu que tinha uma peça valiosa da biografia de Glauber Rocha, que morreu em 1981 de problemas pulmonares. Organizadores de um festival de cinema se ofereceram para recuperar o filme.

Com o tempo, as imagens tinham ficado escuras. Em dois meses, uma correção de cor devolveu a nitidez e trouxe de volta detalhes que tinham sido apagados pelo tempo. O público encheu a sala para ver a estreia mundial dessa raridade recuperada em Curitiba. (Jornal da Globo)

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