Natal para quem?

Por Lucas Eduardo Dantas

Trabalhando no Natal da Cidade de Vitória da Conquista ontem, 20, tive o desprazer de presenciar umas das cenas mais trisque eu já vi. Porém, serviu de alguma maneira para eu me questionar para quem é oferecida a cultura em nossa cidade, e claro isso não é um fato de agravantes locais.

Durante o show de Luiza Possi, uma confusão aconteceu perto do palco, quando tive a oportunidade de olhar o que havia acontecido, vi policiais militares (sete pra ser mais preciso) imobilizando de forma agressiva um homem. O individuo, um morador em situação de rua, estava levemente alterado e confuso.

Junto com ele estavam mais ou menos 6 pessoas, todos artistas de rua, que provavelmente não eram da cidade, pois suas mochilas estavam todas reunidas no chão perto do grupo. O que pude ouvir dos que estavam perto eram palavras como “calma, ele tá bêbado, não bate nele, a gente vai levar ele embora” e pessoas ao redor olhando e pedindo para a policia não agir daquela maneira com o rapaz. Os que tentaram ajudar ou parar a ação repressiva da polícia foram tratados sob porradas e cacetadas.

Fotos: Lucas Eduardo Dantas

Após a polícia sair do local, levando o homem e quase quebrando o seu braço, a cena que vi respondeu minhas dúvidas. Amigos do rapaz chorando desesperadamente, uma mulher que fazia parte do grupo exibia uma expressão sofrível, talvez fosse por saber o que aconteceria com seu amigo. Eu também sabia.

São em ações assim que nós vemos que a cultura nunca foi um direito de todos. Vivemos hoje uma liberdade simbólica e relativa, ditada por padrões elitistas e preconceituosos. O outro envolvido na confusão continuou no show, talvez fosse pelo fato dele ser branco e bem vestido. A desumanização do morador de rua é algo velado por nossa sociedade, a polícia representa não só a força opressora do Estado para colocar “cada um no seu devido lugar”, representa também uma sociedade hipócrita, que crítica a higiene social mas prefere não se misturar com esses grupos sociais, mesmo em locais públicos.

O mais triste nisso tudo é ver que a população em situação de rua é constantemente desumanizada, vista como lixo, como qualquer coisa, menos como pessoas. E antes que os comentários reacionários apareçam, eles são tão GENTE quanto todos nós.

A noite estava linda, infelizmente o preconceito e a opressão mancharam o brilho do festa. Talvez até a chuva fossem lagrimas vindas de cima.

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