Leis aéreas para pássaros em vôo

Por Mariana Kaoos

DIÁRIO DA UNIÃO

Declaração oficial do excelentíssimo magistrado senhor Vanderlei Urubu, secretário nacional do tráfego aéreo.

Minha cara população animalesca, detentora de asas para vôos rasos, altos e profundos. Devido aos inúmeros incidentes aéreos registrados durante o ano de 2013, nós, da Secretaria Nacional de Tráfego Aéreo chegamos à conclusão de que não dá mais para que todo o contingente de aves residentes neste país voe em liberdade pelos céus.

Apenas durante o mês de dezembro do último ano ocorreram 567 acidentes, causando um total de 73 mortes e mais de 200 pássaros feridos. Os dois principais motivos dessas tragédias foram embriaguez e alta velocidade. Além da perda lamentável dos nossos entes queridos, os acidentes causaram um déficit financeiro que acarretou contingências de verbas em outros setores como a saúde pública e a infraestrutura dos terminais e estradas aéreas.

Pensando nisso foi que desenvolvemos em primeira instância, leis aéreas para pássaros em vôo, em busca de alcançar uma diminuição dos acidentes e longevidade de todas as espécies.

Segue o conjunto de leis que irá reger o nosso sistema aéreo:

  1. Pássaros pertencentes à Universidade Fernão Capelo Gaivota estão proibidos de treinar as diferentes modalidades de vôo dentro das grandes metrópoles. Com a ajuda dos governos estaduais, construiremos pistas para as aulas práticas sempre a 150 km da universidade. A lei também se aplica ao corpo docente das instituições.
  2. É de comum conhecimento que urubus gostam de voar em círculos. A partir de hoje está decretado que o tipo de vôo das aves em questão será em semi-círculo no sentido horário, para que não haja colisão de dois ou mais urubus. O indivíduo que for pego voando no sentido anti-horário sofrerá multas de até 2 mil totopos*.
  3. A partir de agora, todo e qualquer pássaro pode voar numa velocidade de até 80 km/h dentro das cidades e livremente no campo. Serão instaladas câmeras, sensores, além dos, já habituais, guias de tráfego aéreo. Caso haja infração, haverá multa de até 10 mil totopos e possível perda da carteira de habilitação.
  4. Está terminantemente proibido as práticas de aposta de corrida, os famosos “pegas”, seja no campo ou na cidade. A prática referente será aceita apenas por esportistas registrados no Ministério e nas Olimpíadas de Verão de Pássaros Formosos, que ocorre anualmente.
  5. Aos domingos, o centro aéreo de todas as cidades do país será fechado para programação infantil. O espaço será destinado a brincadeiras, piruetas e atrações culturais.
  6. Além dos ensinamentos familiares de vôo, os pássaros crianças precisarão passar por uma escola fundamental para vôos corretos. A cada ano, haverá provas práticas e teóricas a respeito dos mais diversos temas como educação no trânsito, leis de trânsito, dentre outros. A carteira de habilitação para vôo livre poderá ser requerida para pássaros a partir do quarto mês.
  7. Mapas aéreos das cidades serão disponibilizados online de maneira gratuita, a fim de situar melhor pássaros turistas, bem como os residentes locais. Toda ave em vôo precisará levar consigo o mapa referido ao local em questão.
  8. A partir das 16 horas, guardas aéreos poderão parar aves para aplicar o passômetro, dispositivo que registra níveis de álcool e substâncias químicas no organismo. Caso haja mais de 3% de qualquer uma dessas substâncias, a multa será de 25 mil totopos e perda da carteira de habilitação.

Essas leis entrarão em vigor a partir do dia 1 de abril. Não é mentira! Ao final do período de um ano, faremos o balanço do que de fato funcionou, e, de acordo com as respostas, tiraremos ou acrescentaremos mais leis.

Cordialmente,

Secretário Nacional de Táfego Aéreo,

Vanderlei Urubu.

O diário da União finaliza assim a referida declaração.

*Totopos: moeda oficial dos pássaros. Se assemelha ao real.

E quem não gostou não adianta piar.

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