Homenagem póstuma: Paraki

O Paraki sai da vida para entrar na história

Por Gil Brito*

Foto de Rubenildo Metal

Foto de Rubenildo Metal

Quem passa um período maior que dois dias em Vitória da Conquista sabe que a cidade não é pródiga em opções noturnas. Os que notam tal deficiência com maior nitidez geralmente são os forasteiros, ávidos pelo que a “capital do sudoeste” teria a oferecer a seus visitantes após as seis ou sete da noite. Ou seja, quase nada.

Sem grandes atrativos, sobram os bares. Comuns a qualquer cidade que se preze, eles não costumam ostentar grandes novidades, principalmente em Conquista. Qualquer um que capriche um pouco mais na originalidade acaba por se destacar em meio ao grande número de botecos, bodegas e “copos-sujos”. Foi o que ocorreu com o (tristemente) finado Paraki ao longo de seus alegados dez anos de história. Aconchegou em seu espaço um variado leque de fiéis, ofereceu-lhes o óbvio – cerveja gelada – e música de boa qualidade. E, quando estes menos esperavam, fechou as portas. Que ninguém queira investigar as razões que levaram Evandro, o dono, a pôr um ponto final na história do famoso bar. Seu depoimento não teria mais que duas linhas. Quem teve a (rara) oportunidade de ouvir sua voz com nitidez, deve agora se dar por satisfeito. Não a ouvirá mais. “Tudo acaba, né?”, disse o sintético Evandro, “explicando” o porquê da morte do Paraki. A justificativa foi ouvida pelo autor destas linhas, num momento em que esticou os ouvidos para a mesa vizinha.

O que mais fará falta não será a cerveja, que pode ser encontrada em qualquer esquina. Será mesmo a trilha sonora do bar, esta sim original. E, repito, de boa qualidade. Para onde irão os órfãos do Paraki, acostumados que estavam a ir ao bar defunto e ouvir Bob Dylan, Led Zeppelin, Nação Zumbi, The Doors e outros sons? É-lhes (êta, língua!) impossível engolir o que costumeiramente é tocado nos dvd’s da maioria dos bares da cidade e nos carrões que rondam a Olívia Flores. Como bem disse Adla, uma amiga que chegou a freqüentar as mesas do já antigo Paraki: “Onde iremos parar?”

*Jornalista e chargista, autor do blog galhofasamil.com.br

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