Está rindo do quê, “coxinha” otário?

Altamiro Borges

A julgar por todas as pesquisas recentes de intenção de voto, milhões e milhões de pessoas dos vários cantos do Brasil estão tristes e revoltadas com a iminente prisão de Lula. É uma comoção silenciosa, mas que ainda pode vir à tona. Já milhares de pessoas mais organizadas foram às ruas nos últimos três dias em marchas, atos públicos e bloqueios de rodovias em mais de 100 cidades do país. Em São Bernardo do Campo (SP), berço operário do líder petista, cerca de 20 mil pessoas se revezaram em vigília contra as ordens do carrasco Sergio Moro. Na outra ponta, setores da sociedade estão com um sorriso no rosto. Como expressão do ódio nutrido pela mídia, eles torcem pela prisão e até pela “morte” de Lula. Nas redes sociais, eles já foram classificados como “abastados ou abestados”.

No primeiro time, o dos abastados, estão os abutres do capital financeiro, os ruralistas escravocratas, os empresários avessos às leis trabalhistas e os barões da mídia – que hoje compõem o mais ativo partido do capital no Brasil. Eles têm motivos para a felicidade e gastarão fortunas em bordeis – como o Bahamas – para festejar a prisão do ex-líder sindical e ex-presidente da República. Sabem que o seu encarceramento nas masmorras de Curitiba “abre espaço para um candidato de centro ou reformista aparecer mais. O Lula, calado, com uma prisão nas costas, não pode subir mais em palanque e provavelmente não vai transferir sua popularidade”, explica cinicamente Álvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais, um antro dos agiotas financeiros.

Já no segundo time, o dos abestados, estão parcelas das camadas médias da sociedade, imbecilizadas pela mídia e curtidas no seu egoísmo, que historicamente sempre serviram de massa de manobra aos abastados. Os tais “coxinhas” – ou “midiotas” – até agora não perceberam o real significado da prisão de Lula. Ela não tem nada a ver com a corrupção. Os maiores corruptos do país dirigem poderosas empresas e orquestraram e financiaram o golpe que conduziu ao poder a quadrilha de Michel Temer. Sem o fantasma de Lula, estes bandidos terão melhores condições para retirar os poucos direitos que ainda restam na sociedade. Os “coxinhas”, no seu ódio doentio, não percebem que também serão afetados por esta agenda destrutiva e regressiva. Estão rindo do quê, otários?

Em tempo-1: Na quarta-feira (4), o site da revista Época postou uma notinha minúscula que deveria servir de alerta aos coxinhas. “A 3ª edição do Índice de Confiança Robert Half, que extraiu dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referentes aos dois últimos trimestres do ano passado, revelou que os engenheiros foram os profissionais qualificados mais demitidos… A empresa especializada em recrutamento considerou os profissionais qualificados como aqueles com mais de 25 anos, formação acadêmica de nível superior e atuação na iniciativa privada”. A revista da famiglia Marinho jurou que a deposição de Dilma Rousseff resultaria na “retomada instantânea” da economia. Ela também fez propaganda escancarada em favor da “reforma” trabalhista. O Grupo Globo levou muita grana em publicidade com estas mentiras e enganou muitos midiotas.

Em tempo-2: Na quinta-feira (5), o jornal britânico Financial Times, considerado a bíblia dos banqueiros, festejou a prisão do líder petista. “As chances cada vez mais remotas de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorrer na eleição presidencial deste ano, após o STF negar seu pedido de habeas corpus, injetaram otimismo no mercado financeiro… A leitura é que, sem Lula na disputa e com possibilidades reduzidas de conseguir transferir a sua popularidade a um candidato de esquerda, aumenta a chance de vitória de um nome alinhado à agenda reformista”.

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