Entrevista com Sérgio Reis e Renato Teixeira

Capa da primeira edição da Revista Vivant, Sérgio Reis e Renato Teixeira foram entrevistados com exclusividade e falaram sobre amizade, música, filhos, vida em contato com a natureza e Elomar Figueira, a quem os dois demostraram muita admiração e respeito.

Nesta sexta, 30, Sérgio e Renato sobem ao palco juntos para apresentar o show Amizade Sincera, pela primeira vez em Conquista. O show é promovido pelo Campus Vivant Club Residence e restrito a convidados.

Confira a entrevista!

Como nasceu a amizade entre vocês?

Renato – Nós nos conhecemos no começo dos anos 70. Quando eu gravei meu primeiro disco, o Sérgio já tinha atingido um grande sucesso com o “Menino da Porteira” e eu estava chegando com “Romaria”. Ficamos amigos, desde então.

Através desse vínculo da música, a gente foi criando essa amizade.

Como vocês fazem para construir laços mais sólidos e não apenas uma parceria musical?

Sérgio – Nosso convívio vem de uma luta, mas sem nenhuma força, é natural. A gente está sempre junto, um passa na casa do outro para tomar café e falar do que está fazendo. Dia desses, ele me ligou para eu passar na casa dele, daí eu disse que não ia poder porque estava viajando para outra cidade e ele disse que iria assar uma costela, mas ele guardou e daí tive que passar na volta pra comer da costela dele (risos).

Porque demoraram tanto para gravar um disco em parceria? 

Sérgio – Tudo acontece no seu tempo. A gente estava sempre cantando juntos, até por conta de morarmos próximos, e sentimos a necessidade de registrar isso, de mostrar o que é uma amizade sincera, forte e para dar o exemplo também.

Existe projeto para novo trabalho, juntos?

Renato – Já estamos programando, fazendo reuniões, para fazer o “Amizade Sincera 2”. Eu e o Sérgio somos uma espécie de curadores do repertório tradicional da música caipira, nós conhecemos bem isso e a proposta do “Amizade” é a gente se juntar para cantar esse repertório de músicas consagradas, que o povo quer ouvir na voz do Sérgio e aquelas que gostam pela minha orientação como compositor.

No show “Amizade Sincera”, os seus filhos estão entre os músicos. Ficaram surpresos quando eles resolveram seguir esse caminho?

Sérgio – A música veio no sangue, eles cresceram juntos e perto dos pais. É o que eles viram e hoje tocam moda de viola como se fossem caipiras do interior mesmo, então devido à convivência que teve com os pais não tem erro.

Renato – E quando foi para fazer o “Amizade Sincera” a gente resolveu colocar todo mundo no palco, esse foi o mote do projeto, mas foi para entrelaçar as famílias mesmo, o que foi bem agradável, muito bom.

De que forma o contato com a natureza influencia vocês?

Sérgio – Onde a gente mora, o sagui vem pegar banana na nossa mão. Estamos em pleno contato com a natureza. A gente acorda com os pássaros cantando, não tem sirene de polícia, nada disso. Nossos terrenos são grandes, estamos dentro de uma mata. É uma coisa gostosa de se viver, quando se acostuma nessa vida, você não quer outra coisa.

Renato – O mais importante é você se cultivar como pessoa, como ser humano, entender a vida e existir de uma forma elegante, discreta e eficiente. E nós cantores temos que fazer isso, temos que dar nível musical para as pessoas existirem com mais dignidade e para compensar a vergonha política que o mundo passa ultimamente.

Vocês irão tocar juntos pela primeira vez na terra do Elomar Figueira, que é um referencial para vocês e por quem vocês têm um grande carinho. Esse show vai ser mais especial, por isso?

Renato – O Elomar é um menestrel da humanidade. A arquitetura dele com as palavras é incomparável. No Brasil, nunca ninguém, na música brasileira, atingiu o nível de sofisticação poética mantendo as tradições culturais das suas origens. Quando penso que vou tocar na terra de Elomar eu já desligo a chave, se for pensar muito nisso você se intimida um pouco. É uma “responsa”, mas eu me sinto confortável por ser convidado a ir aí, isso me envaidece, é uma honra.

Sérgio – O povo quer nos ouvir cantar, mas precisamos manter a cultura musical do país em cima, senão vai virar tudo sertanejo universitário e daí não dá. Eu e o Renato temos essa preocupação de estar sempre atento a isso que o Elomar tem, uma capacidade maravilhosa de resgatar essas culturas que não podem cair no esquecimento.

Leia a revista Vivant na íntegra abaixo.

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