#100Camillo XXXVII: Tudo o que eu tenho

Vem de ti, minha mãe, essa tristeza comovida
Que cai por sobre mim como um lento crepúsculo na tarde silenciosa

Tua voz que temia pelo filho pobre que entregaste à vida
E que ainda fala, hoje, na minha voz meiga e dolorosa.

Mãe, são tuas mãos despidas de jóias e riquezas
Que ainda me levam pela mão, na vida, boas e brancas
Vem da tua tristeza de temer por mim toda a minha tristeza;
Corre o teu pranto no pranto dos meus olhos que ainda estancas

Vem de ti, meu pai, lutador invencível,
Pálido e só, firme, arrostando o inimigo na liça,
A sede que anda acesa, em mim, de paz e de justiça
E a fé que desconhece o que seja o impossível

É de vós que me vem esse amor, essa piedade,
Essa ânsia de sofrer por um bem e essa resignação no sofrimento atroz.
Choro contido, mãe. Grita na minha voz, meu pai, a tua voz
De soldado da fé, de legionário da igualdade.

Meu pai, altivo e meigo, – justo clarim de alto e vívido trom!
Minha mãe, flor de neve, alva e pura e tão boa! Ó benção que me cobre!

Mãe! vem de ti a minha graça de ser bom.
Pai! vem de ti o meu orgulho de ser pobre!…

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